Com a CBS em vigor em 2027, empresas passam a olhar o crédito tributário ao escolher fornecedores; folha CLT, pró-labore e MEI não geram crédito
A reforma tributária deve aumentar a contratação de agências e de serviços terceirizados no país, apontam especialistas. A partir de 1º de janeiro de 2027, com a entrada em vigor da CBS, o imposto pago na compra de um serviço passa a virar crédito para abater o imposto da venda. Isso muda a conta de quem decide entre terceirizar ou manter a estrutura própria.
O motivo está no principal custo das empresas de serviço: as pessoas. “Se eu tenho uma mão de obra toda CLT, infelizmente essa mão de obra não me gera crédito tributário nenhum”, afirmou Hugo Carpanez, CEO da Inup Contabilidade. Salários, pró-labore, INSS e FGTS ficam fora da base de crédito, enquanto serviços contratados com nota fiscal, como consultorias e softwares, geram.
Para Renan Caixeiro, cofundador do Reportei, plataforma de relatórios de marketing e vendas, o efeito pode favorecer as agências. “Pode, em algum momento, aumentar a contratação das agências como fornecedoras de mão de obra”, sugere. Segundo os especialistas, o crédito equivale ao imposto efetivamente pago pelo fornecedor. O MEI, que recolhe quase só INSS, gera crédito próximo de zero. Empresas do Simples Nacional geram um crédito pequeno, enquanto as do lucro presumido, do lucro real e do Simples híbrido geram o valor cheio.
Com o crédito, o que pesa é o custo líquido, e não apenas o valor da nota. Em simulação com a alíquota cheia projetada para 2033, uma nota de R$ 10 mil emitida por empresa do Simples gera cerca de R$ 295 de crédito, e o contratante paga R$ 9.705. Se a emissora for de regime regular, o crédito sobe para R$ 2.650, e o custo cai para R$ 7.350. Por isso, segundo Hugo, pode compensar pagar R$ 12 mil a uma empresa de regime regular em vez de R$ 10 mil a uma do Simples.
Impacto no marketing
Para as agências, o regime tributário passa a ser argumento comercial, sobretudo no B2B. Quem está no Simples e atende empresas maiores pode ter de rever preços. Enquanto quem atende pessoas físicas e pequenos negócios tende a sentir menos, pois não aproveitam crédito
A mudança também impacta o que agências compram, pois mídia com nota fiscal, softwares nacionais e estrangeiros, produtoras e outros terceiros geram crédito. Segundo Hugo, agências do Simples não aproveitam crédito sobre o que consomem, o que também influencia a escolha do regime. Para o contratante, o regime do fornecedor entra até na comparação com o freelancer. “Se a agência cobra R$ 3.000 e o freelancer também, você consegue tirar crédito da agência e, muitas vezes, do freelancer não”, exemplifica Renan.
Os especialistas recomendam que as agências mapeiem o perfil dos clientes e revisem contratos com renovação prevista para 2027. Empresas maiores devem passar a “caçar” crédito em toda a cadeia de fornecedores, segundo Hugo. As ferramentas de tecnologia também devem repassar o novo custo. “Para quem toma crédito, ele fica talvez até um pouco mais barato. Para quem não toma, fica mais caro”, afirma Renan.
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