Empresas têm ampliado a busca por alternativas para administrar a inadimplência diante dos limites do Desenrola 2.0, programa do governo federal que teve o prazo prorrogado até o fim de agosto de 2026.
Entre as estratégias adotadas estão a venda de carteiras de recebíveis inadimplentes para geração de caixa e o uso de inteligência de dados e inteligência artificial (IA) para prevenir atrasos nos pagamentos.
Venda de carteiras ganha espaço entre empresas menores
Segundo a fintech BLU365, especializada em recuperação de crédito, a venda de carteiras de recebíveis inadimplentes passou a alcançar empresas de pequeno e médio porte.
A operação permite que as empresas transformem dívidas em recebíveis negociáveis em caixa, enquanto a gestão da cobrança passa para outra companhia.
Antes, esse tipo de operação era concentrado em grandes bancos, com carteiras entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões. Atualmente, empresas menores passaram a oferecer carteiras na faixa de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões.
De acordo com a BLU365, essas operações não apareciam em sua carteira no primeiro semestre de 2025. Atualmente, representam três em cada dez negócios realizados pela empresa.
IA é usada para prevenir inadimplência
Outra frente adotada pelas empresas é o uso de ferramentas de análise de dados e inteligência artificial para identificar riscos antes que os clientes entrem em situação de inadimplência.
A estratégia busca permitir uma atuação preventiva, com acompanhamento do comportamento de pagamento e identificação antecipada de possíveis atrasos.
O movimento ocorre em um cenário de elevado volume de dívidas em disputa judicial. Segundo o Grupo Preâmbulo, empresa de tecnologia jurídica, o endividamento nessa situação supera R$ 1 trilhão no Brasil.
A empresa afirma ter 20% de participação de mercado e mais de R$ 20 bilhões em carteira de cobrança.
Crédito consignado privado também busca alternativas
A BLU365 também registrou aumento na procura por soluções de instituições que atuam com crédito consignado privado.
Segundo a empresa, o movimento se intensificou depois que o governo estabeleceu, em abril, um teto de 4,99% ao mês para os juros do consignado privado.
Desde então, um em cada três pedidos de propostas comerciais recebidos pela BLU365 é proveniente de operadores desse segmento, segundo o fundador e CEO da empresa, Alexandre Lara.
A fintech também informou que o índice de engajamento dos clientes em seus canais de negociação subiu de 75%, em dezembro de 2025, para 85% nos meses recentes. Lara atribuiu o aumento à maior visibilidade do tema na mídia.
Empresas buscam gestão mais ativa das dívidas
O cenário mostra uma ampliação das estratégias utilizadas pelas empresas para lidar com a inadimplência. Com o encerramento do prazo do Desenrola 2.0, companhias passaram a recorrer a mecanismos próprios de recuperação de crédito, venda de recebíveis e ferramentas tecnológicas.
A combinação dessas alternativas permite às empresas buscar geração de caixa e, ao mesmo tempo, atuar de forma preventiva para reduzir o volume de novos atrasos.
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