Quando a pandemia chegou, Felipe Buranello e seus sócios, fundadores da rede de limpezas Maria Brasileira, tomaram uma decisão que contrariava tudo o que se via no mercado: enquanto a maioria das empresas demitia, cortava marketing e priorizava caixa, eles fizeram o oposto. “E se fizermos o contrário do que estamos vendo por aí?”, provocou em uma reunião em março de 2020.
A lógica era dupla: bons profissionais estariam sendo desligados e poderiam ser absorvidos; e com menos empresas anunciando, o Google Ads ficaria mais barato.
O segmento de limpeza foi considerado essencial, e a Maria Brasileira incluiu serviços de sanitização de ambientes. O resultado? Um crescimento de cinco vezes em relação ao ritmo normal. Em vez das 20 a 25 franquias por ano que a rede abria, foram quase 100 novas unidades em 2020.
“Havia também uma conjuntura econômica favorável”, contextualiza Buranello. “Os juros estavam em 2% ao ano. Muitas pessoas estavam sendo desligadas, recebendo acertos, e pensando: ‘Não compensa deixar o dinheiro no banco com juro baixo. Vou investir em um negócio.’ E a Maria Brasileira é uma franquia de baixo investimento — a partir de R$ 49 mil”, diz.
Se 2020 foi o ano do crescimento explosivo, o ano divisor de águas estrutural foi 2015. A promulgação da PEC das Empregadas Domésticas gerou pânico em milhares de famílias que mantinham profissionais mensalistas sem registro formal. Com medo dos custos trabalhistas, muitas optaram por demitir e migrar para diaristas pontuais.
“Para a Maria Brasileira, foi uma mola propulsora”, afirma Buranello. “De um lado, mais demanda. Do outro, mais oferta de mão de obra — porque essas profissionais precisavam se realocar. E fazíamos exatamente esse atendimento de forma avulsa, diária.”
O efeito colateral foi uma visibilidade imensa. “2015 foi a época que eu mais dei entrevista para a imprensa na minha vida”, lembra o CEO.
O novo marco
Em 2025, aconteceu mais um marco histórico para a empresa: pela primeira vez, mais da metade do faturamento global veio de atendimentos a pessoas jurídicas. Segundo Buranello, a virada foi natural. A Maria Brasileira nasceu focada no consumidor final, mas as empresas começaram a procurá-la. A busca aconteceu primeiro por pequenos escritórios e clínicas odontológicas e, depois, por redes hoteleiras e shopping centers.
“A retenção e frequência do cliente PJ são maiores”, explica Buranello. “E limpar uma empresa tem menos barreiras do que limpar uma casa — sem animais de estimação, sem crianças, com um nível de exigência diferente.”
A tendência, segundo ele, é de aceleração. A rede já desenvolveu uniformes específicos para o segmento corporativo e protocolos para grandes contratos.
A próxima virada
Para 2026 e além, Buranello não pensa pequeno. O plano é “preencher cada vez mais o ecossistema de limpeza no Brasil” — com novos serviços, educação sobre o segmento, tecnologia e atuação em nichos.
Ele observa as mudanças no comportamento do consumidor: “Cada vez mais prédios estão sendo levantados como estúdios em São Paulo. Muda o nível da limpeza, o tempo destinado.” A ideia é criar soluções específicas para cada perfil — do Airbnb ao cliente de altíssimo padrão.
Para saber mais detalhes sobre a Maria Brasileira veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.
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