A proximidade do período de extinção do PIS/Cofins pela reforma tributária está levando empresas a se movimentarem por uma reorganização financeira na qual um dos focos é a recuperação de créditos tributários. A revisão faz parte de um escopo amplo de priorização por liquidez e caixa.
Dados exclusivos levantados para o InfoMoney pela assessoria empresarial Valestrá, com atuação em consultoria tributária, mostram que 64% da demanda empresarial esteve concentrada em soluções ligadas a liquidez e caixa em 577 contratos fechados entre janeiro e março de 2026.
Desse total, 50% buscam soluções de revisão fiscal e previdenciária, reflexo de uma busca imediata por recuperação de créditos tributários, revisão de pagamentos indevidos e alternativas de eficiência relacionadas à folha. “Esses créditos poderão ser aproveitados no novo modelo tributário, mas uma parte deles deverá ser escriturado até o final de 2026”, aponta a CEO da Valestrá, Keila Biazon.
A Lei Complementar que determina a extinção do PIS/Cofins no último dia de 2026 determina que o créditos de contribuição para estes tributos permanecerão válidos e utilizáveis, mas deverão ser registrados no ambiente de escrituração. De acordo com Biazon, esse é um procedimento administrativo de notificação de créditos pendentes junto à Receita Federal.
Créditos tributárias são gerados de tributos pagos em excesso ao longo da cadeia produtiva. Acontece quando, ao vender um produto, a empresa paga o ICMS em cima do cálculo do PIS/Confins, o que gera uma bitributação.
A reforma tributária extingue, a partir de 2027, o PIS/Cofins, dando lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), um imposto nacional. Desde o início de 2026, empresas já passam por um período de transição com alíquotas reduzidas tanto do CBS quanto do Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS) para familiarização dos contribuintes com o novo sistema.
Toda a adequação dos créditos tributários está dentro de uma agenda mais ampla de soluções de liquidez e caixa nas empresas, avalia Biazon. Outros 14% de demanda da Valestrá de janeiro a março vieram pela busca de compliance tributário, o que inclui o Bônus de Adimplência Fiscal (BAF), benefício dado a empresas adimplentes junto ao fisco.
“Fazemos uma varredura das empresas nos últimos anos e identificamos, inclusive, benefícios que poderiam ter utilizado e que eventualmente ainda não foram feitos para agregar valor ao fluxo de caixa”, conta a CEO.
Adequação de contratos
Em outra frente, empresas estão também adequando contratos para se proteger de eventuais aumentos de custos provocados pela reforma tributária. De acordo com Biazon, a expectativa de aumento da alíquota, em especial no setor de serviços, levou a consultoria a reforçar às empresas a necessidade de garantir eventuais reajustes nos custos de fornecedores.
Embora as alíquotas definitivas após o fim da transição da reforma ainda não estejam definidas, é possível estimar um percentual e utilizá-lo para dar segurança contratual às empresas. “Se não temos precificação final, colocamos minimamente uma proteção que vai permitir o empresário a adaptar o preço a partir do momento em houver, de fato, uma mudança de alíquota”, diz a executiva.
Voltar para a listagem de notíciasCliente desde 1990
Cliente desde 2018
Cliente desde 1991
Cliente desde 1993
Cliente desde 1987
Cliente desde 1999
Cliente desde 1998
Cliente desde 1999
Cliente desde 1991
Cliente desde 2015
Cliente desde 2013