Hoje, o controle de jornada de trabalho é tema de gestão. Mas nem sempre foi assim. Até o home office se tornar hábito, ele foi tratado como uma obrigação do campo operacional. Ou seja, se antes bastava o colaborador registrar suas horas, agora o dever é equilibrar autonomia e consistência ao longo do expediente.
“O maior desafio hoje não é tecnologia, é clareza”, diz Marcos Freitas, CEO e fundador da Seja AP. Para ele, grande parte das empresas ainda não tem diretrizes bem definidas no regime remoto. “Falta alinhamento sobre horários, disponibilidade, entregas e responsabilidades. Sem essa estrutura, a flexibilidade começa a gerar desorganização”.
Aliás, confundir autonomia com ausência de regra é um dos erros comuns dessa prática. “Na tentativa de não parecer controladora, a empresa abre mão de direcionamento. E o resultado é previsível: cada pessoa trabalha de um jeito. Os ritmos não se conectam e a operação perde consistência”, explica. Ele destaca ainda que autonomia também não é liberdade sem critério. “É clareza suficiente para que cada profissional execute bem, sem depender de cobrança constante”. Isso, segundo Marcos, só é possível quando há gestão eficiente por trás.
Modelo de trabalho não cria o problema, mas expõe
Na visão do especialista, empresas que já tinham políticas internas e disciplina antes da adoção do home office conseguem se adaptar mais rápido e operar melhor. Caso contrário, acabam sentindo o impacto da prática na produtividade e no clima. “Para o remoto funcionar de forma consistente, as organizações precisam sair do improviso e tratar a jornada como um processo”, recomenda. “E isso não se ajusta sozinho: precisa ser desenhado, comunicado e acompanhado”. A seguir, o CEO da Seja AP compartilha três práticas que fazem a diferença para um bom controle de jornada:
1.Definir regras claras de funcionamento: Não se trata de engessar o trabalho, mas de criar previsibilidade. Estabelecer janelas mínimas de disponibilidade, acordos de resposta e horários-base evitam ruídos e melhoram a integração entre áreas. Hoje, um dos maiores problemas do remoto não é falta de entrega, é desencontro, com pessoas disponíveis em horários completamente diferentes, decisões que demoram mais do que deveriam e equipes que perdem ritmo.
2.Conectar jornada com entrega, e não só com presença: Controle de jornada sem clareza de resultado vira apenas um registro de horas. E o “ponto batido”, por si só, não garante performance. A empresa precisa deixar explícito o que é esperado de cada função: metas semanais, indicadores simples e prioridades bem definidas. Quando a entrega está clara, o tempo ganha direção. Sem isso, o colaborador pode estar disponível o dia inteiro e, ainda assim, não gerar valor. Aqui, vale lembrar sempre: gestão eficiente não mede esforço, mede resultado.
3.Criar rituais de acompanhamento consistentes: O maior erro é deixar para olhar a performance no fim do mês. Quando isso acontece, o problema já cresceu. Reuniões curtas, acompanhamento semanal e indicadores básicos já resolvem grande parte dos desvios. Gestão é rotina (não é evento) e, no remoto, ela precisa ser ainda mais disciplinada. Sem acompanhamento, o controle vira ilusão, mas, com isso em dia, ele vira direcionamento. No fim, o home office não fragiliza a gestão, ele expõe a falta dela.
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