O modelo de emissão de certificados digitais no Brasil poderá passar por mudanças caso avance uma proposta em discussão no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). A iniciativa prevê a criação de um novo formato de validação chamado Autoridade de Registro Eletrônica (AR Eletrônica), que permitiria a obtenção do certificado sem necessidade de atendimento presencial ou participação direta de um agente de registro.
A proposta está sendo conduzida pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) e deverá ser submetida ao Comitê Gestor da ICP-Brasil para análise prevista para abril, após a conclusão das etapas regulatórias e de consulta pública.
Caso o modelo seja aprovado, o processo de emissão do certificado poderá ser realizado de forma totalmente digital, com validação automatizada da identidade do usuário.
A proposta se inspira em experiências já adotadas em outros países, principalmente na Europa e em parte da América Latina, onde a certificação digital já pode ser obtida por meio de sistemas automatizados.
A regulamentação para viabilizar o novo modelo chegou a ser debatida anteriormente, em 2025, mas não foi implementada naquele momento devido à ausência de estrutura tecnológica suficiente para suportar o processo.
Como funcionaria o novo processo de emissão digital
No formato em análise, o cidadão precisaria possuir dados biométricos previamente cadastrados em bases governamentais para poder solicitar o certificado digital de forma remota.
O procedimento começaria com a instalação de um aplicativo específico. A partir dele, o usuário realizaria a autenticação biométrica e passaria por camadas adicionais de verificação de segurança para confirmar a identidade.
Entre os mecanismos previstos estão tecnologias de validação capazes de identificar tentativas de fraude digital, como manipulação de imagens ou vídeos falsificados, incluindo técnicas associadas a deepfakes.
Após a conclusão dessas etapas de verificação, o certificado seria disponibilizado em ambiente de armazenamento em nuvem, permitindo sua utilização em serviços digitais.
De acordo com o ITI, a adoção desse modelo tende a ampliar o acesso à certificação digital e simplificar o processo de obtenção do documento.
Possíveis reflexos para empresas e profissionais da contabilidade
A ampliação do acesso ao certificado digital pode ter impacto direto na rotina de empresas, escritórios contábeis e profissionais que dependem da certificação para acessar sistemas governamentais e enviar obrigações fiscais.
Atualmente, o certificado é utilizado em diferentes operações, como transmissão de declarações, assinatura de documentos eletrônicos e autenticação em plataformas públicas e privadas.
Com um processo de emissão mais automatizado, a expectativa é que o acesso ao certificado se torne mais rápido, inclusive para processos de renovação ou emissão de novos documentos.
Outro ponto avaliado é a possibilidade de integração da certificação digital diretamente a plataformas digitais e aplicativos corporativos, ampliando seu uso em setores como serviços financeiros, comércio eletrônico e operações digitais empresariais.
Nesse cenário, também se discute a adoção de novos modelos de financiamento da certificação digital. Uma das alternativas analisadas é permitir que empresas que utilizam o certificado como parte de seus serviços, como bancos, plataformas digitais ou instituições financeiras, passem a remunerar as certificadoras.
A proposta ainda depende de análise e aprovação pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil antes de qualquer implementação. Caso avance, o novo modelo poderá alterar significativamente a forma de acesso à certificação digital no país.
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